Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Por muitas vezes me pergunto quando este mercado “online” tão novo e ainda em formação resolverá os limites frouxos, cinzas e apagados da passagem do bastão da agência para a produção, bem como o caminho de volta, da produtora para a agência.
Quando olhamos para outras relações equivalentes e que deveriam e podem perfeitamente servir como ponto para extrapolarmos, ou seja, na tradicional interação entre agências e produtoras sejam elas de vídeo, áudio ou outro suporte qualquer, a possibilidade das segundas irem diretamente ao cliente das primeiras oferecendo benefícios e vantagens de um serviço sem gerenciamento e intermediação é remota.
No mundo “online”, com uma rápida passada de olho no mercado, encontramos alguns absurdos de mini/micro/nano-produtoras exercendo o papel de agências. Também nos deparamos com trabalhos muito bons do ponto de vista criativo, tecnológico e de interface das nanos, porém nem sempre alinhados com os objetivos de mercado e comunicação pensados sob uma estratégia de marketing e negócios do cliente.
Quando pensamos em mídia, essa relação é totalmente desequilibrada.
Em relação à pesquisa de mídia. Por muitas vezes grandes compradoras de pesquisas de mídia do país são substituídas por nanos que sequer possuem pesquisas referentes ao meio internet, mesmo que não tenhamos muitas opções, mas deveria ser obrigatória a assinatura de pelo menos uma ferramenta que apresente níveis de audiência e perfil do internauta.
Por muitas vezes sequer existe uma equipe de mídia (ou pelo menos um profissional da área) que garanta o embasamento técnico do trabalho a ser desenvolvido e veiculado com o investimento do cliente. Este trabalho que é por muitas vezes terceirizado, deixando o cliente exposto, afinal terceiros não são exclusivos.
Minha última crítica refere-se ao modelo comercial muitas vezes adotado. Por tratar-se de empresas em sua fase inicial, com equipes diminutas, instalações “alternativas” e que ainda não contam com grandes recursos, adotam políticas comerciais extremamente agressivas em detrimento ao mercado qualificado e seguidor das normas padrão da atividade publicitária.
Entendo que a geração de fluxo de caixa por meio de investimento em mídia é extremamente atraente e traz uma alavancagem interessante para o negócio quando comparado à produção de peças ou sites. Mas quando se abre uma produtora não é com o intuito de produzir? Então por que buscar o crescimento do negócio em outras disciplinas que não estão sequer em seus contratos sociais?
Espero que este seja um período de acomodação e que em breve possamos trabalhar de forma integrada com produtoras digitais, assim como acontece no restante do mercado publicitário.